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Comandar as tropas…à distância

Como coordenar equipas de trabalho à distância de uma forma eficaz? Esta será, certamente, a pergunta de um milhão de euros para qualquer pessoa que se ocupe da gestão de projetos, nestes tempos de ‘qual será o próximo desafio laboral extraordinário’?
Por força das circunstâncias, quiseram os deuses do Emprego e da Comunicação que o início da minha primeira experiência profissional de relevo fosse concomitante com o desabrochar de uma pandemia global. Experiência essa que, em grande parte, consiste na coordenação da equipa de trabalho do CreateLab e respetivos projetos de Comunicação.
Sorte, não é? Surpreendentemente, sim, por duas ordens de razão: a primeira, de índole prática, diz respeito ao facto de ter assegurado um emprego na minha área, numa fase tão atípica do ‘mercado’ laboral; a segunda, de natureza mais pessoal, relaciona-se com o desafio acrescido de colocar à prova uma das valências que inspira a minha filosofia de trabalho: o pensamento estratégico.
Todos reconhecemos a origem bélica da noção de estratégia. Não se ganham guerras sem generais estrategas. E, se o Presidente da República tão eloquentemente classificou estes tempos como uma ‘guerra’, seria imprudente da minha parte enfrentar este desafio profissional de uma forma diferente. E foi isso que fiz. Ora vejam:

A) Objetivo

A definição prévia dos propósitos de todas as comunicações estabelecidas com a equipa - sejam através de um e-mail, de uma SMS, de um telefonema ou de uma videochamada. O que se pretende? Informar, mobilizar, incentivar, elogiar ou, simplesmente, ouvir? É imprescindível pensar nestes aspetos.

B) Ofensiva

Este termo, puramente bélico, poderá traduzir-se na ação de antecipar a iniciativa do inimigo. Neste caso, os principais inimigos poderão ser a monotonia, a ausência de inspiração e a saturação - características claramente atribuídas ao crescente número de chamadas por Skype ou Zoom. Para lhes ‘roubar’ a iniciativa, é importante juntar duas outras diretrizes típicas de um general: ‘saber a hora certa de atacar’ e ‘organizar para maximizar a eficiência’. Traduzindo, é importante considerar a frequência e a quantidade/qualidade das interações: fazê-las, apenas, quando necessário e privilegiando as orientações claras à atuação da equipa.

C) Cooperação

Dizem que não há ‘maus exércitos, há maus generais’. E a qualidade de um general reflete-se no grau de inspiração, apoio e cooperação que consegue instigar nos seus soldados. Nos contactos realizados com a equipa de trabalho, é importante transmitir que a liderança é uma noção coletiva e partilhada com cada um dos elementos. É importante saber ouvir e conjugar as melhores valências de cada um, rumo à unidade eficaz.

D) Segurança

Pensar que o ambiente externo - e as suas condicionantes - não afetam a equipa é um pensamento ingénuo e diria, até, perigoso. Não se pode ignorar as dificuldades e desafios extra que os estudantes enfrentam - especialmente numa agência desta natureza. Se não houver espaço de diálogo e flexibilidade, o trabalho desempenhado a um nível voluntário rapidamente se deteriora e a ideia de insegurança é comunicada. Torna-se, assim, primordial comunicar de uma forma honesta, segura e, acima de tudo, humana.

E) Simplicidade

Comunicar é tornar algo comum. E isso só se consegue com simplicidade, linearidade e frontalidade. Já imaginaram se, na frente de batalha, os soldados recebessem informações complexas, sujeitas a diversas interpretações e incongruentes? Pois, a tragédia na Comunicação não se equipara à perda de vidas humanas, mas também falamos de um atentado. Um atentado a um dos princípios basilares da Comunicação. Por isso, há que privilegiar a comunicação transparente e não ambígua.

Através deste pequeno exercício de comparação de mundos, pretendi mostrar que há diversos princípios da estratégia militar que podemos e devemos aplicar à estratégia de coordenação de equipas de trabalho - especialmente num tempo como este.
O sucesso desta demanda só poderá ser avaliado pelos ‘meus soldados’, mas quero acreditar que temos mantido os principais inimigos longe das nossas trincheiras, com uma frente de ataque unida e coesa, assegurando o espírito de alerta para uma futura - sempre certa no mundo da Comunicação - eventualidade.

Texto de Marta Alves
Coordenadora Executiva

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